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Anas: Você está pronto para imaginar comigo?

Kerem Bürsin: Sim.

Anas: Precisamos da sua criatividade.

Kerem Bürsin: Ah, essa é uma pergunta tão boa.

Anas: O que o amor significa para você?

Kerem Bürsin: Às vezes você só não tem sorte. Não é um jeito romântico de ver as coisas, mas quando você tem sorte…

Anas: Com todas as suas viagens, você já sentiu que pertencia a algum lugar?

Kerem Bürsin: Eu sou turco e sempre tive muito orgulho disso.

Anas: Você preferiria perder todas as suas memórias ou nunca mais conseguir criar novas? Kerem, do que você tem medo?

Kerem Bürsin: A humanidade não está indo bem. Como posso ser feliz quando estou muito ciente do que diabos está acontecendo no mundo?

Anas: (Apresentação do episódio) Então, nós acabamos de terminar uma entrevista meio longa. Intensa, intensa. Acho que vocês terão que ir numa montanha-russa com ele. Ele vai te levar para cima e para baixo, mas vai te trazer de volta. Eu pessoalmente gostei, foi ótimo. Foi ótimo, espero que vocês tenham gostado também. Não, foi ótimo. Foi maravilhoso, muito maravilhoso. Então, de qualquer forma, sempre nos apoiem, se inscrevam. E nosso trabalho é trazer mentes interessantes, boas histórias, ótimo trabalho. Tipo, ótimo trabalho e boas reflexões também. Quero dizer, as coisas sobre as quais conversamos… eu acho que sim. Sim, então, e claro, se você conhece o Kerem, então espero que você consiga ver novos ângulos dele. E se você não o conhece, investigue-o, siga-o, apoie-o na sua próxima jornada, e sua escrita, seus filmes e sua arte. Demonstre um pouco de amor e aproveite a conversa. Legal, obrigado!

O Início da Conversa e as “Coincidências”

Anas: É louco como a gente se deu bem antes mesmo, tipo, no segundo em que nos vimos foi tipo, nem dissemos “ei, como você está, como vão as coisas”, nós apenas fomos direto ao ponto.

Kerem Bürsin: Sabe, são energias.

Anas: Kerem, eu estava dizendo para a equipe, eu fiquei tipo, comparem, comparem este local com os outros três locais onde acabamos de gravar. Eu estava dizendo ao meu produtor também, eu fiquei tipo, apenas veja o nível de calma e serenidade ou intimidade que você consegue de um certo local. Porque em Dubai eu só gravo no meu estúdio, que é o estúdio branco.

Kerem Bürsin: Sim, é um fato. Quando você viaja, é uma peça do quebra-cabeça para acertar, certo.

Anas: Você tem o melhor, eu acho.

Kerem Bürsin: Não, não, não cara, eu agradeço. E sim, menos é mais. É só você e eu aqui, então sim.

Anas: Sabe, você viralizou talvez quatro ou três anos atrás na nossa conta, as pessoas te marcavam por tipo semanas, faziam toda uma campanha no Twitter, quando se chamava Twitter, dizendo: “você devia trazer o Kerem, você devia trazer o Kerem”.

Kerem Bürsin: Certo, bem, estou feliz que tenha levado quatro anos! Vocês deveriam ter entrado em contato, nós teríamos feito… não, mas estou feliz que estejamos fazendo isso agora, sabe, eu sinto que…

Anas: Você acredita nisso?

Kerem Bürsin: Eu acredito nisso, tipo, que sempre há um tempo e um lugar para tudo. E eu sinto que se você está aberto a isso, então é quando você fica tipo “certo, quer saber, eu gosto do fluxo”, e é quando você começa a confiar no fluxo.

Anas: Como estamos indo fundo nisso… eu parei de acreditar em coincidências recentemente. Oficialmente, eu parei. Acho que é apenas um rótulo preguiçoso para algumas coisas que acontecem, você fica tipo “essa merda não pode acontecer aleatoriamente tanto assim”. Tipo, a probabilidade disso é muito baixa para eu dizer que é coincidência, certo? Então eu parei de dizer isso.

Kerem Bürsin: Sim, não, definitivamente.

Anas: Então isso não é uma coincidência para mim, cara.

Kerem Bürsin: Sim, quero dizer, é, sabe… mas com essa mentalidade também, você também tem que aceitar o negativo. E é aí que, sendo seres emocionais, é aí que você… somos permitidos xingar? É aí que você tem a foda mental, que é tipo “o quê?”. Mas ei, as coisas acontecem, as coisas acontecem.

O Estado do Mundo e a Desconexão Humana

Anas: Então vamos começar, vamos lá. Minha primeira pergunta geralmente é: como você realmente está, Kerem?

Kerem Bürsin: Uh, eu acho que no aspecto pessoal, sabe… seria errado da minha parte reclamar. Então é uma daquelas coisas onde eu não posso reclamar, porque acho que tenho muitas coisas para ser grato, e só ter consciência disso, isso é o que é importante para mim. Ter consciência de muitas outras coisas, a sorte, e tudo isso, e apenas contar suas bênçãos por isso. Mas não acho que importe muito como você está individualmente quando o seu entorno não está indo tão bem.

“Não posso dizer que estou indo bem, porque não estamos indo bem. O planeta não está indo bem, a humanidade não está indo bem.”

Kerem Bürsin (continuando): E então, eu acredito que somos seres sociais, somos um coletivo. Estávamos conversando sobre energia, e eu sinto que com a ciência se desenvolvendo no campo quântico, estamos realmente percebendo muitas coisas que não sabíamos. Tipo, diferenças do que causa e efeito realmente podem ser, e são, e as implementações disso, e toda essa profundidade. Então, pensando nisso nesse aspecto, no qual eu adoro pensar… não posso dizer que estou indo bem, porque não estamos indo bem. O planeta não está indo bem, a humanidade não está indo bem. Então… e, sabe, apenas perceber a situação em que você está metido… não sei, acho que é difícil. Acho que é difícil, e é triste, sabe. Então, como eu estou, e as coisas que estou pensando principalmente e sentindo… acho que é mais isso. E só, um monte de absurdos não estão parando. Então sim, estou preocupado.

Anas: Sim, é justo dizer. Sabe, no aspecto mais geral…

Kerem Bürsin: Sim, temos problemas. Temos problemas, cara. Tipo, temos problemas. E é só… é triste porque, quero dizer, você pensa nas coisas que fazemos pelo capitalismo, certo? Não vou… não se preocupe, não vou entrar em nada muito louco, mas apenas uma estrutura de negócios, certo. Então, se um negócio não está performando bem, e se os funcionários desse negócio, no que diz respeito à satisfação no trabalho e felicidade, 99% simplesmente não estão felizes e estão lutando nesse negócio, e 1% está tipo “beleza”… você muda algumas coisas, certo? Você demite o CEO, você faz isso, você faz aquilo, talvez você entre numa estratégia diferente, você faz algo para esse negócio ir bem. E o “negócio do mundo” não está indo bem. E nós simplesmente não estamos fazendo nada sobre isso. É só triste. Então sim.

Anas: Recentemente eu estava em um evento, e o cara no evento… eles acabaram de fazer algo muito grande em Dubai, com a Zegna, e um dos caras da Zegna disse: “Anas, quando conheci o pessoal do turismo em Dubai, um dos seniores lá disse: ‘Nós administramos Dubai como uma empresa privada'”. E quando você pensa nisso, é meio o que você acabou de dizer, certo? Dubai é bem-sucedida em muitos aspectos porque as pessoas estão felizes, estamos seguros.

Kerem Bürsin: É com isso que se importa, sim. Tipo, eu morei em Dubai, desculpe te interromper, eu morei em Dubai em 94. E foi a parte mais feliz da minha infância. Foi incrível. E definitivamente não era o que Dubai é agora, mas sempre havia um aspecto de apenas segurança. Tipo, qual é o trabalho principal de um negócio ou de um país para as pessoas, especialmente aquelas que vivem lá e pagam impostos, porque você está alimentando esse negócio? É “ok, vou te proporcionar segurança, vou te proporcionar felicidade, está te proporcionando coisas, uma qualidade de vida”.

Anas: Sinto muito que eu te cortei, mas você tem toda a razão, sabe. Dubai é um exemplo brilhante. Acho que se mais governos e mais países apenas seguissem esse básico… parece senso comum, mas não é tão comum… você irá bem como país. Tipo, se você no topo realmente quer ir bem, é uma visão muito curta se você quer apenas ser o 1% e, como você disse, os 99% não estão felizes. Você faz algum dinheiro e riqueza e vai monopolizar isso, mas até quando? Seus filhos provavelmente não vão ver isso, sim, então não é a longo prazo.

Kerem Bürsin: Sim, sim. Sabe, mas acho que essa filosofia existia um pouco mais… talvez com nossos pais ou nossos avós, porque quero dizer, sabe, você pensa nisso, lá atrás era tipo “ok, você paga suas dívidas, você trabalha, você terá uma casa, você será dono de uma casa, dono de um carro, e de uma casa de verão”, e isso era tipo o acordo, sabe. Mas você olha agora… fazendo as contas para ter uma casa e para o que você está ganhando em um emprego de escala normal… você não consegue. Então é tipo, “então por quê?”. Quero dizer, não sei se você viu isso, eu me deparei com isso e fiquei tão inspirado, e acho que o mundo ficou inspirado também. Esse cara… ele estava trabalhando em uma empresa de pneus ou algo assim, e estava juntando dinheiro para aprender a velejar, e ele apenas queria velejar… e ele praticamente fez isso. Vendeu tudo e entrou num veleiro com o gato dele… você conhece esse cara? Nossa, você tem que ver, é tão inspirador. E ele velejou, e ele conseguiu, sabe, e aprendeu a velejar e foi pro Havaí ou Caribe… sei que são opostos, mas… o fato de que ele fez isso. E acho que você está vendo a mentalidade de muitas pessoas indo por esse caminho. Então talvez seja uma coisa positiva, porque acabamos vivendo a vida e percebendo que a maioria das coisas que achamos que importam não importam de verdade. E a coisa que estamos machucando mais é a coisa que realmente importa, e é por isso que estamos tão desconectados, cheios de ansiedade, porque estamos tão desconectados do que somos. Tipo, não deveríamos estar usando sapatos, isso está nos desconectando do planeta.

Anas: Eu estava lendo como até o jeito que os sapatos são desenhados, onde eles apertam seus dedos, isso é muito prejudicial para você. Supostamente seus pés deveriam estar mais espalhados, certo?

Kerem Bürsin: O cara com quem estou trabalhando, que na verdade está aqui, meu treinador Furkan… foi a primeira coisa que trabalhamos. Ele disse: “Você precisa ser capaz de… olha, vamos colocar um cordão em cada um dos seus dedos e ver se você consegue empurrar para baixo, tipo eu vou levantar e você não vai conseguir. Você está tão desconectado”. E esses são os seus pés! Tipo, essa é a sua base. Então tem muitas coisas que estamos fazendo de errado, cara. Tem muitas coisas que estamos fazendo de errado. Digo, vamos falar de comida, certo? Estamos nos envenenando. Não sei, mas acho que você precisa ver o errado para fazer o certo, o que eu espero que aconteça.

Anas: Sim, de certa forma estamos chegando lá. Acho que especialmente depois da covid as pessoas estão muito mais conscientes da saúde. Enfim, deixe-me voltar para você. Kerem Bürsin: Sim, me desculpe. Wow… isso vai ser tipo uma entrevista de cinco horas.

Identidade e Infância

Anas: Eu não me importo. Quem é você Kerem?

Kerem Bürsin: Quem sou eu? Quero dizer, eu sou um humano de 38 anos, o que nem sei o que significa de verdade, humano… mas não sei cara, eu sou apenas um cara de 38 anos que ama o que faz. Eu amo atuar, amo todo o processo de contar histórias por trás e na frente das câmeras. Sou abençoado. Sou turco, e sim, mas alguém que ama o mundo. Fico tão chateado… eu amo, amo esse planeta! É incrível, e acho que à medida que envelheço estou apenas apreciando isso muito mais. O que acho que é o que geralmente acontece, sabe. Tipo, eu lembro quando eu era criança, meu avô ele ficava admirando flores e isso e aquilo e eu ficava tipo “o que está acontecendo?”, mas agora eu fico tipo “gente, olhem pra isso, essas cores”. Você pensa nisso e você fica tipo, é fenomenal. É fenomenal e… então sim, eu sou alguém que, cara, eu amo esse planeta, eu só quero… sou apenas um cara que só quer viver uma vida boa neste planeta, fazer o bem… acho que sou eu.

Anas: Sua infância em três palavras?

Kerem Bürsin: Colorida… receptiva… e reveladora em uma idade muito jovem. Acho que só porque viajávamos a cada dois anos e meio, íamos para outro país. Então sim, foi estranho. Era muito estranho, mas sabe, a vida de expatriação… eu sinto que Dubai está muito acostumada com essa cultura também. Mas sim, é muito diferente.

Anas: Com todas essas viagens, você já sentiu que pertencia a algum lugar?

Kerem Bürsin: Sim, sinto que quando criança, eu sentia que pertencia a todos os lugares, sabe? Quando morávamos em Dubai, Abu Dhabi, eu dizia: “Certo, Emirados Árabes, é isso”. Você conhece a cultura, você se adapta a ela porque você é uma criança, você é uma esponja. Você não tem aquela coisa de “ah…”, você fica tipo “ok legal, vamos lá, vamos fazer isso”. Você aceita as coisas. Aí você vai para o Texas e fica tipo: “Certo, y’all, vamos dizer y’all”. E é tipo, as pessoas me chamavam de “dog” (cachorro/parça) e eu ficava: “E aí dog? O que é isso, por que estão me chamando de cachorro?”, entende? Você só não entende, mas depois você entra naquilo. Então sim, acho que em todo lugar… tipo, essa é a questão. Na Indonésia, nós temos vídeos caseiros de mim correndo, eu era um serzinho ruivo e cacheado correndo e falando indonésio. Porque eu tinha uma adorável babá indonésia. E até hoje, o meu prato favorito no mundo é bakmi goreng, porque foi com isso que eu cresci. E tudo isso te compõe. Então sim, tipo, eu sou turco. Sou turco e sempre tive orgulho disso. E eu sinto que, com a vida de expatriação, você na verdade tem um lance maior de nacionalismo, porque você meio que veste isso aonde quer que vá, e você vê isso da sua família também. Mas você também percebe que isso é só… essa é só uma cor na paleta, sabe? E você não quer só uma cor, eu quero um monte de cores. E eu tive a sorte de experimentar isso. Mas é isso, aí depois você não entende toda essa besteira do mundo.

As Emoções na Mochila e a Época de Faculdade

Anas: Ok. Hipoteticamente, se eu te trouxer uma mochila. E te entregar e disser: “Coloque dentro todas as emoções que você está sentindo neste período”. E então eu pego a mochila e abro. O que eu vejo lá dentro?

Kerem Bürsin: Tipo, agora? Hum… não sei cara, eu acho… não tenho ideia. Como assim objetos?

Anas: Não, emoções. Se eu descobrir que você colocou suas emoções nesta mochila, eu a abro, o que eu encontro?

Kerem Bürsin: Sinto que seria tipo uma pintura enorme, onde você tem a escuridão, mas também tem tipo, ei, isso aqui e as possibilidades, mas também há isso. Sim, seria uma pintura eu acho. Não sei.

Anas: Oh, então você está tentando… Estou tentando entender, como eu estou objetificando isso, acho que a pergunta é mais simples, mas você deixou ainda mais legal. A pergunta é mais sobre quais emoções eu encontraria na bolsa, mas você transformou em um objeto.

Kerem Bürsin: Sim, sim, bem, eu acho porque quando nós conversamos inicialmente eu estava falando sobre todas aquelas emoções, então…

Anas: Mas você pode manter do jeito que você pensou. É interessante que você transformou suas emoções em uma pintura.

Kerem Bürsin: Seria um… quero dizer, eu sinto que o que você tiraria da mochila seria apenas uma maldita pintura, onde você diria: “Hmm, então tem muita coisa acontecendo aí”.

Anas: Você estudou em Boston também, certo?

Kerem Bürsin: Sim, estudei.

Anas: Eu também. Northeastern.

Kerem Bürsin: Sério? Ok! Em que anos?

Anas: Provavelmente antes de você…

Kerem Bürsin: Não, não, não.

Anas: 98 a 2003. Como foi?

Kerem Bürsin: Foram uns dos meus melhores anos, porque eu adorava jogar futebol e eu joguei lá.

Anas: Ah legal, que posição?

Kerem Bürsin: Atacante, ponta.

Anas: Caramba, ok. Futebol americano ou…

Kerem Bürsin: Não, futebol normal (soccer). Futebol de verdade. Sim, sim. Eu joguei pelo time da universidade e semi-profissional lá.

Anas: Nossa, ok. E como foi para você?

Kerem Bürsin: Foi ótimo, eu adorei Boston. Sinto que Boston é o lugar perfeito para um estudante estar.

“Acho que é por isso também que eu penso sobre a faculdade… eu realmente vejo o tempo como o período antes de estarmos documentando tudo, e o período depois.”

Anas: Eu concordo. Não consigo imaginar como o ensino médio ou faculdade… não vou nem falar antes disso, mas não consigo imaginar como o ensino médio e a faculdade seriam com as mídias sociais na minha vida, certo?

Kerem Bürsin: Sim, então eu acho que é por isso também que eu penso sobre a faculdade… quero dizer, claro, nós tínhamos o Facebook e isso e aquilo, mas em geral eu acho que foi tipo… eu realmente vejo o tempo como o período antes de estarmos documentando tudo, e o período depois. E o período antes é tipo… olha para os anos 90, você fica tipo, “cara… é diferente”. Porque nós éramos muito… era muita responsabilidade para conseguir ser social. Então não sei. À medida que ficamos mais preguiçosos, eu sinto que… antigamente você realmente, para ir a algum lugar ou se encontrar, tinha mais algo naquilo. Mas sim, a faculdade foi incrível, eu adorei.

Anas: Eu estava conversando com Esther Perel há duas semanas. E ela disse uma coisa, ela disse: “Hoje você tem mil pessoas como um amigo virtual, mas nem um para alimentar o seu gato quando você estiver viajando”.

Kerem Bürsin: Isso é bom. Tão verdade.

Anas: Tão verdade, e assustador.

Kerem Bürsin: É. Bem, quero dizer, é assustador, porque antigamente, quando éramos jovens, você conseguia reunir pelo menos umas seis pessoas que cuidariam do seu animal de estimação. Definitivamente. E aí você pensa no jovem de hoje… É diferente, é um mundo diferente. E não quero parecer tipo aquele velho rabugento “ah, essa nova geração”, mas não sei.

Anas: Eu não acho que você soa pessimista, acho que estamos sendo realistas. Sou muito justo com a Geração Z e o nível de conhecimento deles comparado ao nosso conhecimento possivelmente idiota, que era muito básico, certo? Em questão de conhecimento, eles nos massacram. Em lutar pelo que amam, os direitos da Terra e do planeta, eles são muito melhores. Mas será que lhes falta resiliência e garra? Talvez. Habilidades sociais? Talvez. Não todos eles. Então não quero só criticar, tem os dois lados.

Kerem Bürsin: Certo, claro. Quero dizer, sempre há críticas em tudo, mas sim.

Família e os Corres do Início da Carreira

Anas: Então Boston foi bom. O que a família significa para você?

Kerem Bürsin: Quando penso em família, uma imagem que me vem à cabeça é a de um canguru na bolsa. Sabe, somos muito unidos. Isso é importante. E “muito unidos” não significa… eu só vejo meus pais tipo uma vez por ano em uma certa época, certo? Se eu tiver sorte, duas vezes por ano. E eu faço isso há 17 anos, desde que eu tinha 17 anos. Então é algo que, pensando no tempo que passei com eles, agora estou na minha vida onde passei mais tempo sem eles (fisicamente) do que com eles. Mas não muda nada. E por isso sinto que é muito próximo para mim, porque acho que isso me fez perceber o que a proximidade realmente é, sabe? Mesmo que a pessoa não esteja lá, ou as pessoas não estejam lá ao seu redor, é tipo… com um telefonema, com qualquer coisa, você sabe que eles sempre estão lá. E então, como você estava dizendo, você pode ter mil amigos, mas ninguém vai olhar para o seu gato, e cara, eles moram na mesma rua! Então, família é proximidade, é confiança. Eu tive sorte. Família é a sua espinha dorsal, eu acho.

Anas: Somos felizardos de ter uma família boa.

Kerem Bürsin: Sim, mas eu também argumentaria que a família não precisa ser de sangue. Concordo. Se as cartas não foram bem distribuídas, ou se você simplesmente deu azar em como as coisas aconteceram na vida, então ei, essa linhagem sanguínea não precisa ser considerada família. Você pode considerar família alguém que é tipo um amigo. Eu tenho tantos amigos, no sentido de poucos mas muito presentes, em que eu poderia literalmente dizer que eles são a minha família. É uma família escolhida.

Anas: Quais foram os trabalhos que você teve que fazer antes de realmente “dar certo”?

Kerem Bürsin: Oh meu deus. Eu… Então, eu me formei na faculdade com a mandíbula quebrada. Ai, foi! Eu estava pensando nisso, tipo, formatura… Eu desmaiei.

Anas: Desmaiou e caiu na mandíbula?

Kerem Bürsin: Sim, quebrei. Tipo na semana da formatura. Eu fiquei com a mandíbula imobilizada. Eu acho que o meu açúcar no sangue simplesmente caiu. Naquele período eles disseram que era hipoglicemia. Eu estava malhando muito e, sabe, essas são as coisas importantes que você não aprende: eu não estava usando meu corpo da maneira certa com a quantidade de esforço que estava colocando, minha alimentação etc. Então, definitivamente foi uma experiência horrível, nunca desejaria ao meu pior inimigo. Mas você também percebe tipo, “Uau, tudo que fazemos nesta vida é centrado em comer”. Porque você não pode comer, e seus amigos estão tipo “vamos a tal lugar” e você fica tipo “que merda”, sabe? Então foi interessante. Mas de qualquer forma, o meu primeiro trabalho, eu fiquei desempregado por um bom tempo, e houve um curto período onde foi quando o Subway tinha aquela promoção… “Subway de 30 cm por 5 dólares”. Perfeito! Então eu comia com 5 dólares por dia durante muito tempo. O que foi ótimo. Porque em LA, você faz isso…

Kerem Bürsin (continuando a lista de trabalhos): Meu primeiro emprego, na verdade, eu trabalhei em uma empresa de mídias sociais, mas eles estavam ok em me deixar ir a audições. Mas naquele tempo não existia Instagram nem nada disso, então era apenas eu mandando e-mails em massa para blogueiras que eram mães. Eu pesquisava blogs (porque blogs eram enormes, tipo Perez Hilton), então minha meta eram blogueiras mães. Eu passei uns bons sete meses mandando e-mails para elas. Isso é engraçado quando você pensa sobre isso. E depois, eu tive sorte e consegui meu primeiro trabalho de atuação remunerado, foi um comercial para o El Pollo Loco. Tudo que fiz foi morder um sanduíche, e não lembro exatamente, acho que recebi mil dólares. Eu fiquei maluco! Eu mordi um sanduíche e ganhei mil dólares, eu estava no carro conversando com o meu pai (que era um pouco cético) dizendo: “Cara, eu gosto do El Pollo Loco, isso vai ser enorme!”.

Kerem Bürsin (continuando): Depois disso, consegui meu primeiro trabalho de atuação real com Roger Corman. Que eu não sabia quem era na época, ele era conhecido como o rei dos “filmes B” de baixo orçamento. Jack Nicholson, James Cameron, Quentin Tarantino começaram com ele. Fiz um filme com ele chamado “Blood Coast”, mas quando fomos gravar virou “Sharktopus” (Tubarão-Polvo). Foi aí que eu pensei: “Ah, qual é!”. Mas foi divertido. Eu tive que parar com o trabalho de mídia social e fiz esse filme no México. Pensei: “Agora as ofertas vão chover”. O filme saiu no canal Syfy, e eu fiquei esperando… e nada. Foi aí que percebi que não seria tão fácil. Então eu comecei a ser motorista. Uma grande amiga minha, Alex Devlin, me chamou dizendo que precisavam de um motorista para atores de fora que não tinham carteira de motorista e precisavam ir nas audições. Fui motorista de umas pessoas muito legais por umas duas semanas. Era interessante ver a perspectiva deles no banco de trás, indo pras audições, e eu querendo estar naquele lugar. Eles eram todos uns amores. Depois me tornei personal trainer. Trabalhei na recepção de uma academia também, abrindo o local às 4h30 da manhã. Fui segurança também. Virou uma resposta muito longa, desculpe, contei minha história de vida. Mas foi maravilhoso.

Felicidade, Sucesso e Conexão Humana

Anas: É para isso que serve a entrevista. O que significa sucesso para você?

Kerem Bürsin: Sinto que, se você em um mundo como este consegue ser feliz… sei que são respostas clichês, mas acho que é a verdade: é ser feliz nos seus próprios termos.

Anas: Você é?

Kerem Bürsin: Sim, eu sou. Mas acho que isso é algo que sempre muda. Meus termos mudam constantemente devido ao que eu faço, e eu sei que o que eu faço não me representa totalmente, mas é uma grande parte de mim. E eu amo a arte. Arte para mim é evaporar as suas emoções naquilo que vai se tornar a obra. Então é um pedaço enorme de você. Querer fazer isso e viver disso foi um sucesso quando alcancei. Mas depois você percebe que é a conexão humana, sabe, porque todo o resto é ilusão (fluff). O que é real é a conexão humana. Seu sucesso é estar sorrindo, rindo, com boas pessoas com você.

Anas: Temos um belo ditado árabe que diz que “O paraíso sem pessoas não vale a pena entrar”.

Kerem Bürsin: Isso é tão bom. Eu amei isso. Mas essa é a questão. Não importa se você é a pessoa mais rica do mundo, se você está sozinho, não há sentido. Aquela coisa do coletivo, certo? Como eu posso ser feliz quando sei o que diabos está acontecendo no mundo? Pessoas morrendo aqui e ali e nós apenas olhando e ignorando.

Anas: Nós chegamos a um ponto onde estamos muito dessensibilizados para tudo isso, apenas rolando a tela.

Kerem Bürsin: E acho que colocar algo nos seus stories na rede social também é parte do problema, parte de se tornar insensível, porque isso não deveria ser o equivalente a enfermeiros irem ajudar ou pessoas fazerem algo de fato. E o fato de que justificamos isso como “clica e pronto, fiz minha parte”, cara, qual é. Estamos em um emaranhado louco do que está acontecendo.

Anas: É muito complicado. Eu estava pensando em como numa era em que somos tecnicamente os mais conectados, somos os humanos mais desconectados. Antes, se o vizinho estivesse doente, saberíamos e mandaríamos comida. Hoje não sei quem é o meu vizinho.

Kerem Bürsin: Sim, não sei cara. Toda a nossa filosofia está errada com coisas tipo “vamos fazer uma convenção/cúpula (summit)…” Ok, continue fazendo convenções.

O Amor, Expectativas e Sorte

Anas: Como você gerencia a sua vida amorosa quando sabe que em um certo estágio ela se tornará pública? Isso pode fazer você terminar com alguém?

Kerem Bürsin: Oh, eu acho que afeta muito. Mas tudo depende do que você é famoso. Eu não vivo a minha vida como uma pessoa famosa, você pode perguntar a qualquer pessoa que me conhece. Eu não acordo me sentindo famoso. Sinto falta de coisas? Sim, mas por isso vou para lugares onde provavelmente não me conhecem para viver a minha vida.

Anas: Então como você protege seus relacionamentos amorosos?

Kerem Bürsin: Depende da comunicação e da pessoa. A comunicação é uma das coisas que mais faltam nos relacionamentos, sabe. Comunicação aberta sobre o que te incomoda, o que me incomoda. Não é trabalho de ninguém “presumir”. O que aprendi nos relacionamentos é que não é função de ninguém presumir as coisas.

Anas: O que o amor significa para você? Kerem Bürsin: Eu não acho que o amor seja algo fechado. Eu honestamente acho que o amor é algo muito fluido, e algo fluido pode mudar de forma muito. Então eu acho que os gregos estavam certos sobre os tipos de amor. Mas quando você coloca na cabeça que “amor é só isso”, então você só vai esperar isso, e isso não é justo. Você nunca vai estar feliz porque criou algo na cabeça que não funciona assim.

“Eu também acho que o amor é muita sorte… Às vezes você só dá azar, assim como nascer numa família abusiva. Você não teve controle sobre isso.”

Kerem Bürsin (continuando): E eu também acho que o amor é muita sorte. Não acho que todo mundo se apaixone. Essa é a questão, nós achamos que todo mundo se apaixona. Não, se você tiver sorte você encontra. Às vezes você só dá azar, assim como nascer numa família abusiva. Você não teve controle sobre isso. Nós temos uma percepção societal tóxica do amor que foi martelada nas nossas mentes desde cedo. Olha o gráfico de amor do mundo: divórcios lá em cima, violência doméstica lá em cima. Eles são casados, têm filhos… se isso é amor, estamos fracassando.

Anas: Então o que é?

Kerem Bürsin: Bom, eu vejo por esse lado nada romântico. Mas quando você tem sorte, caramba… você já se sentiu sortudo na vida? A sensação é incrível, você olha para o céu chorando sem saber porquê. Vê um comercial de cachorro e chora. Eu acho que o amor é isso, qualquer coisa que traga pura positividade e felicidade, onde seu ego fica no chão, você não dá a mínima, a pessoa só te faz sorrir.

Anas: Fiz um episódio com um advogado de divórcio, James Sexton, e ele disse que casaria sim, porque a maioria erra, mas quando você acerta, você voa. E eu quero mirar alto, alguém que me eleve, se não for assim, eu tô bem sozinho.

Kerem Bürsin: E acho que como sociedade as pessoas estão percebendo isso, e não querem casar só por casar, porque podemos viver sozinhos hoje com as nossas telas e telefones.

Anas: Mas não podemos ter a ilusão de que não precisamos das pessoas. Você falou em conexão humana. Se eu retirar do meu sistema de apoio a minha família, meus bons amigos e meu trabalho, eu ficaria muito solitário e procuraria uma parceira.

Kerem Bürsin: Cara, serei honesto. É estranho porque na minha idade todo mundo ao redor tem família e casou. Chegar em casa numa casa vazia… qual o ponto? Não importa ganhar um prêmio se não tenho com quem compartilhar na mesma casa. Sim, tudo está dentro de casa.

Anas: Acredita que alguém possa estar verdadeiramente apaixonado se não compreender o outro completamente?

Kerem Bürsin: Sim, acho que você não tem que entender tudo na vida. Se você compreende esse conceito, então está ok, é o amor mais genuíno, amar a essência da pessoa.

Perguntas Rápidas (“Cartão Vermelho”)

Anas: (Pegando cartões vermelhos) Perguntas rápidas. De todos os países que morou (Escócia, Indonésia, EUA, EAU, Turquia, Malásia), qual é seu favorito?

Kerem Bürsin: Ter vivido, Emirados Árabes. A vida, os amigos, pegávamos táxis sozinhos tão novos, eu amava aquilo.

Anas: O que a música significa para você? Você teve banda…

Kerem Bürsin: Interessante, não chego em casa e ligo a música. A música é uma ferramenta para atuar. Não escuto música em casa. Malho com a mesma playlist de 15 anos atrás. Mas quando pego um novo projeto, escuto música 24h por dia buscando o personagem. No dia a dia é um detox de música.

Anas: O emoji que mais usa?

Kerem Bürsin: Antes era o de suor 😅, agora é o dedinho apontando 👈 “você é o cara”.

Anas: Se pedissem pra descrever a sua relação com você mesmo em uma palavra?

Kerem Bürsin: Hoje eu diria “estamos de boa” (we’re cool). Agora a gente se entende. Tipo “cara, vem cá, ok”. Mas nem sempre foi assim. Nos meus 20 anos eu me cobrava muito. Tive sorte de ter ótimos mentores. Crescendo nessas sociedades você aprende a se odiar e se achar insuficiente. Para os homens também, o patriarcado é algo que aperta nossa garganta, sabe. E você aprende que tudo bem se amar.

Anas: Não tem que se punir pra melhorar.

Kerem Bürsin: Exato. Eu amo esportes, amo colocar meu corpo sob estresse, porque é você se comunicando consigo mesmo dizendo “você consegue, você consegue”. Comunicação sempre positiva. Por isso exercícios liberam serotonina e te fazem sentir ótimo.

Anas: Como soa a voz na sua cabeça?

Kerem Bürsin: Eu confio muito nessa voz. É tipo, “estamos bem”. Se eu tomar uma decisão ruim, ela não vai me punir. Soa realista, mas boa.

Anas: No que você mais gasta seu dinheiro?

Kerem Bürsin: Não compro roupas, mantenho as minhas por anos. Acho que… não comida, porque eu cozinho. Nem joias. Acho que é mais com meu fisioterapeuta e as pessoas que cuidam do meu corpo/saúde.

Anas: Qual a insegurança com a qual você mais lutou na vida?

Kerem Bürsin: A mentalidade do “eu não sou bom o suficiente”, ou “será que eu sou?”. Esse diálogo.

Anas: Qual lição você teve que aprender da pior maneira?

Kerem Bürsin: Aprender ainda jovem que nada na vida é para sempre. Perdi meu melhor amigo muito cedo, em 2011. Foi repentino e sem aviso. É quando você percebe que muita coisa não importa, que a vida é muito frágil. Tive uma conversa com meu pai: se a estrada leva pro mesmo fim inevitável para todos, então o que importa é a estrada que você escolhe pegar. E eu vou escolher a que me faz feliz.

Anas: Qual o nome dele?

Kerem Bürsin: Nick.

Anas: Vou mudar pra um tópico completamente diferente. Você disse: “Eu posso ser um péssimo amante porque amo muito o meu trabalho”. Você mantém isso?

Kerem Bürsin: Olha… eu acho que quando eu fiz esse comentário, eu estava presumindo algo (e não devemos presumir), presumindo o tipo de amor que iria receber, o que faz qualquer um parecer um idiota. Mas você me fez mudar de ideia. Porque talvez eu possa dar apenas 10% do meu tempo por causa do trabalho, mas talvez a qualidade desses 10% signifique 80% pra outra pessoa. Nunca se sabe.

Anas: Você acha que gêneros opostos podem manter amizade sem desenvolver interesse amoroso?

Kerem Bürsin: Sim, eu acho que sim. Eu não acho que homens e mulheres pensem só em sexo. Tenho relações incríveis com mulheres na minha vida que sempre foram apenas amizades excepcionais.

Anas: Um conselho que você nunca esqueceu?

Kerem Bürsin: Há muitas coisas que você pode dar na vida, tempo ou posses para compensar algo, mas a única coisa que você nunca deve entregar é o seu caráter. Seja fiel a você mesmo. Como diz Rumi: ou pareça como você é, ou seja como você parece ser. Se não, você não será feliz.

Anas: O que te irrita mais: quem visualiza e não responde, quem te lisonjeia demais, a pessoa arrogante, ou a pessoa com resposta fria?

Kerem Bürsin: A pessoa arrogante. Eu sabia que você ia dizer essa.

Anas: Se uma nova mulher disser “eu fico com você, mas apague todas as fotos e vídeos de relacionamentos passados”.

Kerem Bürsin: Isso é hilário. Só o fato da pessoa pedir isso pra mim, o relacionamento acabaria ali. Não por eu não poder apagar, mas porque é a pessoa errada, olhando a vida de uma perspectiva muito diferente da minha.

Anas: Você preferiria perder memórias velhas ou nunca poder fazer novas?

Kerem Bürsin: Perder as antigas. Qual o ponto de viver se não vai fazer novas? Seria assustador, você estaria tecnicamente morto em vida.

O Teste Psicológico de Cocologia (O Cubo)

Anas: (Inicia o Teste do Cubo da Cocologia). Imagine um deserto. E nele um cubo.

Kerem Bürsin: É transparente. Consigo agarrá-lo com as mãos. E está flutuando na areia.

Anas: Uma escada…

Kerem Bürsin: A escada atravessa por dentro do cubo e vai pra cima. É feita de madeira.

Anas: E um cavalo…

Kerem Bürsin: Está no topo de uma nuvem. Um garanhão negro. Sem sela. Está parado esperando por mim.

Anas: E flores…

Kerem Bürsin: Passei da escada, estou no cavalo, nas nuvens, passando pelas flores.

Anas: Tempestade…

Kerem Bürsin: Está abaixo de mim, abaixo das nuvens. Com raios, mas tem um elemento pacífico e não afeta em nada a mim, ao cavalo ou às flores.

Anas: (Explica os resultados):

  • O Cubo: O cubo é você. Flutuar é raro, significa pessoas muito criativas. Transparente indica que o seu mundo interno ainda está se formando para sua forma correta após 38 anos.
  • A Escada: A escada atravessando você e indo para o alto são os amigos e a família, mostrando que você olha para eles com admiração e que eles são sua base estrutural.
  • O Cavalo: O cavalo negro sem sela é a sua parceira ideal, indicando o desejo por alguém forte e imprevisível/livre.
  • As Flores: As flores nas nuvens conectadas à parceira representam crianças (filhos).
  • A Tempestade: A tempestade calma debaixo de você mostra que você tem muita força e confiança interna para superar os desafios e estresses da vida.

Kerem Bürsin: Que demais, você devia cobrar pra fazer isso!

Reflexões Finais

Anas: O que faz você se sentir poderoso?

Kerem Bürsin: Estar em total sintonia comigo mesmo.

Anas: Do que você tem medo?

Kerem Bürsin: Decepcionar alguém importante para mim que confia em mim.

Anas: Qual a coisa mais dolorosa que já te disseram?

Kerem Bürsin: Que eu não sou bom o bastante pra conseguir algo. Mas na verdade, eu acredito que atitudes e ações das pessoas machucam muito mais do que apenas palavras ditas.

Anas: Se você ligasse pro Nick e ele atendesse, o que diria?

Kerem Bürsin: “Porra, por onde você andou cara? Sinto sua falta, vamos comer uns burritos”. O sentimento de saudade fica, quando você para pra focar nele.

Anas: Se essa fosse sua última noite, se arrependeria de não dizer algo a alguém?

Kerem Bürsin: Não haveria nada do tipo. Acredito que minha comunicação com as pessoas que amo está super em dia, eu só iria para a natureza e ficaria observando as estrelas.

Anas: Se eu arrancasse o seu coração, o que ele diria pra você?

Kerem Bürsin: “Deixa eu voltar pra dentro, cara, a gente acabou de engatar a primeira, temos trabalho a fazer”. Algo muito positivo.

Anas: Kerem em apenas uma palavra?

Kerem Bürsin: Natureza. Por alguma razão eu fico pensando nisso. É onde me sinto mais confortável, fascinado e feliz. Apenas sendo natural.

Anas: Muito obrigado.

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Entrevista Kerem Bursin,