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Apresentador: Olá a todos do programa “Action”. Hoje estamos fora do estúdio, assim como na semana passada, e ao ar livre em um dia maravilhoso. Estou na companhia de dois atores maravilhosos: a querida Hande Erçel e o querido Metin Akdülger. Nós nos reunimos por causa do filme “İki Dünya Bir Dilek” (Dois Mundos, Um Desejo). Que bom que vocês vieram, ou melhor, que bom que eu vim até vocês! Muito obrigado.

Hande Erçel / Metin Akdülger: Nós que agradecemos!

Apresentador: O filme começa num dia de Ano Novo e termina num dia de Ano Novo, mas é difícil dizer que é apenas um “filme de Ano Novo”, não é?

Hande Erçel: Eu concordo, sim, não podemos definir apenas assim.

Apresentador: Há um lado muito interessante: a história do filme é sua. Já a vimos em muitos papéis, mas como foi atuar numa história que você mesma escreveu? Vamos começar por aí.

Hande Erçel: Eu fui muito sortuda por causa disso. Às vezes, você tem pouquíssimo tempo para se preparar para um personagem devido à correria da nossa indústria. Para mim, o começo dessa história e dessa personagem surgiu de uma garota que veio de dentro de mim, então o meu processo de preparação foi muito longo. Essa é uma grande sorte para qualquer ator. É a primeira vez que experimento atuar na minha própria história e consigo sentir a diferença. Você está interpretando uma personagem na qual teve anos para pensar o que ela faria ou como ela seria. Espero que isso reflita bem nas telas.

Apresentador: Retornarei à criação da história depois, mas que tipo de personagem você está apresentando ao público?

Metin Akdülger: Eu interpreto o Can nesta história. O fato de ser uma história da Hande me deixou com uma sensação maravilhosa, como se eu estivesse abraçando um amigo de infância de quem sentia muita saudade. É algo que traz calor e luz para dentro da escuridão, tocando o coração e a consciência das pessoas. Foi isso que me atraiu primeiro e me fez querer estar no projeto. O Can é um arqueólogo. Eu sempre fui muito curioso sobre arqueologia, mas não tinha lido o suficiente. Como a profissão me guiou por esse caminho agora, tive a oportunidade de ler mais. Ele é um homem com um lado mais ingênuo; não veremos um cara estritamente profissional, mas sim alguém que atribui sentido às coisas por meio de contos e histórias, que construiu a sua própria realidade mantendo a sua infância no centro de tudo.

Apresentador: Há uma cena muito bonita em que vemos você num lindo anfiteatro. Onde foi isso?

Metin Akdülger: Foi em Çanakkale, um lugar lindíssimo.

Apresentador: Hande, nos conte sobre essa mulher que você criou. A história começa na infância dela, não é?

Hande Erçel: Sim, começamos pela infância dela. A Bilge é uma personagem que de fato deixou a si mesma presa na infância. Com tudo que ela vivenciou e as obrigações que a vida lhe impôs, ela é alguém que deixou a vida passar. Ela tem medo de tudo e precisou se afastar um pouco; construiu uma vida focada em se proteger dentro de sua zona de segurança. Isso ocorre até que ela reencontra o Can. É nesse momento que ela se lembra da própria infância, de quem realmente queria ser e das promessas que havia feito a si mesma. É uma personagem que se redescobre por meio dessa transformação.

Apresentador: Do começo ao fim a história é inteiramente sua?

Hande Erçel: Toda a história é minha. Há 5 anos, quando a história começou a se formar, eu mostrei pela primeira vez para a minha amiga roteirista, Elçin Muslu. Com a visão de roteirista dela, nós pesamos os prós e os contras juntas. Havia coisas para adicionar e retirar, e passamos por todo esse processo juntas nos últimos 5 anos de espera. O roteiro foi escrito e reescrito várias vezes até chegar ao ponto certo com muita teimosia nossa.

Apresentador: Metin, sei o quanto você é seletivo com seus papéis e aceita poucos projetos. O que o fez aceitar esse filme?

Metin Akdülger: Este roteiro chegou num momento em que eu tinha acabado de sair de um período muito intenso de trabalho, eu realmente não queria fazer nada. Quando o roteiro da Hande chegou, pensei: “Vou ler por curiosidade, mas provavelmente não farei”. No entanto, sentei, li tudo e me senti tão acolhido que pensei: “Eu faria isso… na verdade, acho que eu preciso fazer isso”. Liguei no dia seguinte. O nosso mundo e a forma de contar histórias estão caminhando para um lugar muito denso, duro e cheio de extremismos. Estar no meio de uma história que avança baseada na consciência, no coração e no amor foi algo que eu realmente precisava viver.

Apresentador: O filme não avança sobre uma realidade hiper-realista, certo? Há um momento em que dizem: “Ah, a minha realidade talvez seja a mesma, mas dependendo de quem olha”. O filme não nos faz pensar “Ah, mas isso jamais aconteceria?”. Exige que você o assista abraçado com os próprios sentimentos.

Hande Erçel: Exatamente. Queria aproveitar para compartilhar um detalhe: quando a história surgiu na minha cabeça, o personagem do Can sempre teve a forma do Metin. O roteiro foi escrito pensando nele, mas ele não sabia disso durante todos esses anos. E, quando enviamos a ele, o fato de ele ter colocado o coração nesse projeto significou muito para mim. O Metin é um garoto de muito coração. Ele não tem esse negócio de “o homem sente assim e a mulher sente assado”.

Apresentador: E de quem foi a ideia de transformar a Bilge criança numa animação no filme? Fiquei encantado!

Hande Erçel / Metin Akdülger: Trabalhamos com um diretor maravilhoso, o Keçe. O trabalho não é só nosso, ele colocou muitas ideias brilhantes no projeto e também contou com a ajuda do nosso excelente editor, Mustafa.

Apresentador: Metin, como foi trabalhar com o diretor Keçe?

Metin Akdülger: Foi excelente. Ele é um cara que coloca música no set, tem uma comunicação direta com todos, é inclusivo e não impõe aquela hierarquia rígida que muitas vezes estamos acostumados. Isso teve um efeito muito positivo na minha performance.

Apresentador: Quanto tempo duraram as gravações e como estava o clima?

Hande Erçel: Foram cerca de 5 semanas de gravações. Gravamos achando que ia ser calor, mas estava muito frio! Os figurinos eram de tecido fino, então eu sofri bastante com o frio, ao passo que o Metin deu sorte porque ele tinha um capote de pastor para usar. Mas a equipe era tão calorosa que compensou tudo.

Apresentador: E o que o futuro reserva agora? Hande, você curtiu o processo de roteirizar? Pretende continuar? E depois daqui, vão descansar?

Hande Erçel: Me sinto muito sortuda de ter tido essa experiência e de ter tido pessoas que acreditaram em mim. Eu sou iniciante ainda, é a primeira vez que conto uma história assim. Se as pessoas gostarem do meu jeito de contar histórias, eu gostaria muito de poder contar várias outras. Agora pretendo ir para o exterior fazer um curso relacionado à minha área e não só a isso, passar um tempo lá escrevendo mais histórias minhas e trabalhando. Eu amo muito trabalhar.

Metin Akdülger: Eu escrevi uma história recente sobre o Coringa (Joker) ambientada na Turquia nos anos 1800 para um projeto internacional, e foi muito divertido. Agora estou me dedicando a fazer uma nova História em Quadrinhos junto com o desenhista Sadi Güran. Além disso, fiz dublagens para alguns curtas-metragens de animação e temos um filme recém-concluído da Yeşim Ustaoğlu, que agora está em fase de pós-produção.

Apresentador: Muito obrigado aos dois. Que bom que nos encontramos. Que venham coisas lindas para vocês nessa jornada. Até o próximo programa do “Action”, pessoal. Tchau!

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=DZLlfl2OKsg

Categoria:

Entrevista de Hande Erçel,